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Quero ser como a Disney (ou não)

A publicidade e o cinema sempre estiveram muito conectados, seja pelo poder de entreter ou mesmo por fins mercadológicos. Os dois se adaptam ao seu tempo e inovam para continuar conquistando cada vez mais. Por isso, quando um dos lados — ou ambos — demonstra uma certa “fraqueza criativa”, é de se preocupar.

No último fim de semana, a Disney realizou a D23, uma feira em que anuncia e expõe seus principais projetos, mostra materiais exclusivos como trailers, posters, parques, brinquedos e uma infinidade de produtos que somente a Disney tem a oferecer.

É importante deixar claro que quando digo Disney, estou falando também das outras casas que a compõem, como Marvel, Pixar, Star Wars e várias (VÁRIAS) outras marcas.

Todos seus anúncios fizeram com que o público explodisse e diversos conteúdos viralizaram rapidamente na internet. Mas, ao final da feira, o saldo foi “preocupante”.

Não me entenda mal: todo o conteúdo ali mostrado tem um imenso potencial de sucesso e certamente será, em sua maioria. É que ver uma empresa como a Disney se tornar refém de suas próprias fórmulas é deveras preocupante.

Dos 21 filmes anunciados, somente 5 são produções originais. Todos os outros 16 se resumem a sequências, produtos derivados ou filmes de universo compartilhado. Evidente que aqui existe a máxima deste tipo de situação: em time que está ganhando não se mexe.

O público se sentiu bem da primeira vez e com certeza quer o replay. A sensação de nostalgia nunca esteve tão presente e forte como nos dias de hoje.

Desde 2004 ouço pessoas que clamam por uma sequência de Os Incríveis, por exemplo. Se a Pixar tivesse feito uma pesquisa e perguntado se as pessoas queriam “Os Incríveis 2” ou a história de um idoso que sai voando com sua casa, as pessoas votariam na sequência sem pensar duas vezes.

Por outro lado, não teríamos “Up”, um filme de grande sucesso de crítica e público.

Ed Catmull, presidente da Pixar, retrata no livro “Criação S.A.” o quanto ele considera as sequências uma espécie de falência criativa. No entanto, o “pessoal do marketing” ama, pois aumentam os produtos de consumo e os filmes se tornam mais fáceis de se vender.

Ele conta que chegaram à solução de um filme original por ano e uma sequência a cada dois anos, para que assim existisse um equilíbrio entre a boa bilheteria e a ideia de arriscar Isso é algo que parece ter se invertido após essa última D23.

Outra casa importante da Disney é a Marvel. A empresa conseguiu transpor seu universo dos quadrinhos para o cinema de uma maneira inovadora: tempos atrás, seria uma loucura propor um universo compartilhado entre filmes. E se um filme fracassasse? Como sustentar o resto? É uma ideia mais delicada que continuações.

A fórmula se mostrou certeira, mas tão certeira que  grandes produtoras de Hollywood decidiram fazer o mesmo. Anjos da Lei com MIB, Transformers, DC, Ghostbusters e uma infinidade conteúdos “pré-programados” estão para chegar.

E então, a fórmula que se mostrou inovadora até dois anos atrás cai por terra, transformando-se em um truque apelativo para quem tem preguiça de criar.

Peço (mais uma vez) que não entenda errado. Sou fã da Pixar desde que Buzz caiu da janela e fico na sala de cinema até os créditos terminarem por culpa da Marvel. O que discuto é a ideia de fórmulas prontas.

Existe uma certa genialidade em utilizar estas fórmulas pré-concebidas, mas é sempre o criador delas que sai na frente. Eu poderia citar durante todo o resto do texto exemplos da imensa preguiça de pensar que muitos estúdios insistem em ter, mas quero ir direto ao ponto em que tudo isso se encaixa na vida de um publicitário.

A resposta é simples: muita coisa. Quem nunca viu um anúncio e soltou o clássico: “Por que não pensei nisso antes”? Qual publicitário nunca viu um VT e pensou as milhões de maneiras que poderia melhorar e aplicar NAQUELE cliente?

Quantas vezes você já viu a palavra “falsiane” na internet hoje? Evidente que fazer diferente é difícil, arriscado, sai caro e é até assustador quando visto de primeira. Mas grandes ações podem nascer de ideias pequenas e aparentemente bobas, como a de uma casa que voa com balões para o Brasil.

Inovar e arriscar com inteligência é preciso, empresas que criam as fórmulas sempre saem na frente: a própria Disney é prova clara disso. Antes de o público clamar por estas sequências e universos compartilhados, adaptações de livros e reboots eram às ideias do momento. E as pessoas queriam cada vez mais.

Mas como disse Henry Ford: “Se eu tivesse perguntado às pessoas o que elas queriam, teriam me pedido cavalos mais rápidos."

O problema não está em fazer tudo que seu público pede.

 

O problema será se outra pessoa fizer, antes de você, o que seu públicorealmenteprecisa, e só não sabe ainda.

 

Por Alisson dos Santos
Estagiário A2C

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