Menu Mobile

ARTIGOS

O que te move - inteligência ou entrega?

Você tem tempo para estudar um assunto - digamos pensar durante três horas sobre o tema e chegar a uma conclusão analisando as possibilidades - sem ser interrompido por algo ou alguém? No seu trabalho, ao entregar ou analisar um relatório você fica com uma sensação de que gostaria de explorar mais o assunto, mas, como não tem tempo, deixa para outra hora por que não pode perder mais nenhum minuto com isso?

Muito se fala - e se vende - sobre inteligência, no entanto, na prática, a aplicação é difícil de ser percebida. Isso porque estamos sempre pressionados por entregas, uma atrás da outra, freneticamente.

O processo de se extrair inteligência das informações é bem mais lento em relação ao tempo disponível, contudo, somos cobrados por ser inovadores o tempo todo. Então, chegamos a seguinte encruzilhada: para sermos inovadores precisamos de tempo para obter inteligência das informações e tempo é algo que temos cada vez menos. Estamos na era de fazer mais com menos e com assertividade.

A lei da física é muito atual: dois projetos não ocupam o mesmo indivíduo, ao mesmo tempo, podem até andar em paralelo, mas no momento de parar e extrair inteligência ele é único. Porém, tem que ser entregue rápido, pois exige a mesma urgência. No fim de tudo, nos tornamos “serial taskers” enquanto deveríamos ser curiosos a ponto de reservar um tempo para extrair inteligência e mudar rumos.

O resultado prático da sistematização, característica de nosso tempo, é o acumulo de dados, ora organizados, mas que na verdade estão espalhados em vários sistemas e bases e na hora de juntar todos e aplicar inteligência, isso simplesmente não acontece. Na última vez que tive acesso a uma estatística sobre o tema, os dados digitais já ultrapassaram 1 petabyte (1015 = 1.000.000.000.000.000).

Trabalho intelectual pressupõe tempo para imaginar, desenvolver e testar. Porém, tempo é algo que não muda (alguns até dizem que sim). Assim, é preciso que exista uma mudança na forma, isto é, em vez de cobrar a entrega, deve-se cobrar o que vamos mudar depois de ter acesso à informação. Penso que as empresas que conseguirem mudar esse modelo mental de entrega para um modelo de inteligência terão assegurada sua existência.

Por William Leunam
Publicada em 19/01/2012 no ProXXIma

Compartilhe

ARTIGOS RECENTES