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É possível enxergar um fim para a hegemonia do Facebook?

Sempre que alguma marca consegue atingir o patamar de indiscutível top-of-mind, uma espécie de sensação de eternidade acaba tomando conta dos “oráculos mercadológicos”. Quer um exemplo? Falar do fim de empresas como Coca-Cola, McDonald’s ou, aqui no Brasil, de uma emissora como a Globo, parece mais ficção científica do que previsão realista.

No entanto, o mercado digital trouxe um dinamismo sem paralelos e que desafia essa sensação geral.

O Facebook, por exemplo, já assumiu o posto de inquestionável top-of-mind em redes sociais: de acordo com o site americano StatCounter, ele fechou maio de 2013 com 69% de participação (contra pouco menos de 7% do Twitter).

Seus outros números parecem apenas confirmar a hegemonia: entre agosto de 2012 e maio de 2013, segundo a TechCrunch, houve  67%  de crescimento em volume de “likes”, 94% de crescimento em conteúdos compartilhados e 23% de aumento em volume de usuários ativos mensais (atingindo o 1.11 bilhão de pessoas). Desde a sua fundação, diversas redes apareceram – do Google Plus ao Pinterest – todas com propostas diferentes e mirando em possíveis tendências de mudança de comportamento de usuários. Mas todas, até o momento, fracassaram. Ou ao menos é o que parece.

O que está acontecendo abaixo do radar

Uma pesquisa recente da Pew Internet apontou um dado curioso: adolescentes com idade de 12 a 17 anos estão, efetivamente, migrando do Facebook para – surpreeendentemente – o Twitter.

O motivo? O  próprio tamanho do Facebook que, ao contar com “todo mundo” como membro, inclui na conta os pais, tios, avós, professores e outros adultos considerados como “indesejáveis” pelos adolescentes.

Em maio de 2013, 94% dos usuários nessa faixa etária tinham perfil no Facebook – número idêntico ao do ano passado (mas com o agravante de uma queda na quantidade de acessos diários).  No mesmo período, no entanto, o Twitter passou a ser usado com frequência por 26% dos adolescentes – mais que o dobro que o registrado em 2011.

Segundo o estudo, o Facebook continua sendo líder indiscutível – mas, ao menos para este público, com volumes decrescentes de uso e apresentando um movimento nítido de migração.

É possível se combater a si mesmo?

E é justamente isso que mais aponta para uma quebra radical de status que: afinal, se o sucesso de mídias sociais é determinado pelos índices de atividade de seus usuários, então a estagnação do Facebook frente ao crescimento de redes alternativas perante o público mais formador de opinião que existe (e que chegará em breve ao mercado de trabalho) pode, potencialmente, mudar tudo.

E o pior: nesse caso, a ameaça para o Facebook não vem de um concorrente, mas sim do seu próprio gigantismo – o que no mínimo dificulta qualquer reação.

O que esse levantamento aponta é que, quando redes sociais começam a se tornar onipresentes, elas vão, aos poucos, perdendo justamente o ingrediente que mais as fez crescer: a possibilidade de usuários se agruparem por nichos de afinidade e de se socializarem de forma (ao menos relativamente) livre.

Não é que o Twitter vá substituir o Facebook – mas sim que os usuários mais novos estão começando a se cansar de uma rede única em que todos (incluindo quem eles não querem) estão presentes.

Existe, portanto, uma lacuna de mercado ainda não preenchida por um competidor; um espaço para que alguém abocanhe o mercado do Facebook e o empurre por um abismo até então desconhecido, usando o efeito da gravidade contra o seu próprio gigantismo.

A seu favor, o Facebook conta com uma histórica capacidade de observar o mercado, copiar iniciativas de sucesso e se metamorfosear da noite para o dia.

Resta saber como (ou se) a empresa de Zuckerberg conseguirá lidar com uma situação em que ela é a sua própria inimiga.

E como as tantas agências e empresas, já habituadas ao comodismo de um ambiente que concentra todos os seus usuários, lidarão com uma possível nova diáspora de consumidores.

Por Ricardo Almeida
Publicada em 18/06/2013 no IDG Now

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