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A Teoria do Caos e inovação

Para começar a entender bem a Teoria do Caos, considere que todo conjunto de objetos que se inter-relacionam pode ser considerado como um sistema. Veja essa definição da Wikipedia:

Entre os sistemas consideram-se duas categorias: lineares e não-lineares, que divergem entre si na sua relação de causa e efeito. Na primeira, a resposta a um distúrbio é diretamente proporcional à intensidade deste. Já na segunda, a resposta não é necessariamente proporcional à intensidade do distúrbio, e é esta a categoria de sistemas que servem de objeto à teoria do caos (…).

Esta teoria estuda o comportamento aleatório e imprevisível dos sistemas, mostrando uma faceta em que podem ocorrer irregularidades na uniformidade da natureza como um todo. Isto ocorre a partir de pequenas alterações que aparentemente nada têm a ver com o evento futuro, alterando toda uma previsão física dita precisa.

Uma das ideias centrais desta teoria é que os comportamentos casuais (aleatórios) também são governados por leis e que estas podem predizer dois resultados para uma entrada de dados. O primeiro é uma resposta ordenada e lisa, sendo que o futuro dos eventos ocorre dentro de margens estatísticas de erros previsíveis. O segundo é uma resposta também ordenada, onde porém a resultante futura dos eventos é corrugada, onde a superfície é áspera, caótica, ou seja, ocorre uma contradição neste ponto onde é previsível que os resultados de um determinado sistema serão caóticos.

 

O Efeito Borboleta

Ao efeito da realimentação do erro foi chamado mais tarde por Lorenz de Efeito Borboleta, ou seja, uma dependência sensível dos resultados finais às condições iniciais da alimentação dos dados. Assim, havendo uma distância, mesmo que ínfima, entre dois pontos iniciais diferentes, depois de um tempo os pontos estariam completamente separados e irreconhecíveis.

Normalmente este efeito é ilustrado com a noção de que o bater das asas de uma borboleta num extremo do globo terrestre, pode provocar uma tormenta no outro extremo no intervalo de tempo de semanas.

É por esse motivo que as previsões meteorológicas possuem erros. Para evitar tais erros precisaríamos de medidas exatas de muitas variáveis (pressão, temperatura…) em praticamente todos os pontos do globo terrestre, o que, atualmente, é impraticável. Além da falta de medidas, as medidas tomadas possuem ainda um certo grau de erro, gerando os problemas que conhecemos para as previsões.

Mas não se deve entender o caos como uma expressão da mais completa irracionalidade: há sempre um limite finito, mensurável e relativamente claro.

No exemplo do Lorenz, é possível assumir a tese de que o bater das asas de uma borboleta no Brasil possa iniciar um efeito em cadeia tão absurdo que acabe “gerando” um furacão no Texas. No entanto, o próprio globo terrestre acaba sendo o limite dessa expressão. Ou seja: em nenhum momento as consequências desse tipo de evento transcenderiam o planeta, gerando, por exemplo, uma chuva de meteoros em Marte.

Esse limite – que aqui chamaremos de Métron, (ou “medida”, em grego) é importante por funcionar como uma espécie de cerca em torno do caos, ajudando a calcular algum tipo de previsibilidade mesmo dentro dos mais absurdos modelos ou exemplos.

 

Onde a Teoria do Caos tem a ver com inovação?

Inovar é, antes de mais nada, criar algo com base em previsões teóricas de resultados. É um exercício que demanda um certo grau de confiança e coragem para descartar todo um conhecimento devidamente documentado e confiável.

Henry Ford costumava falar que, se fosse se basear em pesquisas, teria criado uma carroça mais sofisticada ao invés de um carro produzido em escala. Como saber, afinal, a reação de um consumidor a um produto que ele jamais imaginaria possível?

A resposta não está necessariamente em pesquisas, mas sim em uma releitura de problemas tendo em mãos elementos aparentemente não relacionados como componentes de uma possível solução.

A melhor maneira de inovar é olhar para o presente e, dele, tirar tudo o que não fizer sentido.

No caso de meios de transporte, não fazia sentido depender de cavalos e ter pouca autonomia – e nem tampouco utilizar carruagens movida a vapor, como as utilizadas no final do século XVIII e que tinham velocidade máxima de 3km/h.

As bases da criação do automóvel estavam lançadas aí, a partir do momento em que alguém começou a pensar nos problemas.

As soluções vieram de elementos absolutamente caóticos, partindo da união da invenção da roda ao motor de explosão, ao uso de petróleo e, claro, às técnicas de produção em massa surgidas com a Revolução Industrial. Ou seja: elementos aparentemente desconexos acabaram caoticamente se somando em uma única solução.

E todas as grandes invenções da humanidade seguiram (e seguem) esse padrão de foco nos problemas e liberdade caótica para escolher possíveis ingredientes da solução.  

Em outras palavras: a solução é o resultado do pensamento caótico tendo como métron (ou limite prático) o problema a ser resolvido – algo que, mercadologicamente, se traduz como foco.

 

Por Ricardo Almeida
Publicado em 29/05/2015 no Blog Gene do Caos

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