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5 etapas para se perceber oportunidades no caos

O caos, como tantas vezes já postei por aqui, é a origem de tudo. É onde confusões, tumultos, desnorteamentos e, em suma, problemas se materializam. 

E onde há problemas, claro, há oportunidades de solução. Isso até pode parecer óbvio (mesmo porque, convenhamos, é) – mas uma das regras mais desconsideradas de ao se buscar inovar em alguma área é justamente ignorar a possibilidade de um problema para se resolver. Muitas vezes, munido por um entusiasmo quase pueril, um empreendedor investe somas obscenas de tempo e dinheiro na criação de uma solução perfeita para um problema que simplesmente não existe. 

Seu foco acaba concentrado quase que exclusivamente na solução, em aspectos táticos ou detalhes de como entregar uma promessa qualquer para um dado público, sem sequer considerar que esse mesmo público pode prescindir dessa “entrega”. 

Normalmente, quando o foco está no detalhamento de uma invenção em si, dificilmente ele pode se converter em uma inovação prática, efetiva, que coloque ordem em algum tipo de caos percebido. 

Pois é: voltamos ao caos. 

Como percebê-lo? 

Uma “receita de bolo” pode parecer pueril quando se trata de um assunto tão denso quanto este – mas nem por isso é impossível de ser criada. Vamos, então, a alguns simples passos: 

1. Observar conflitos.

Toda situação de caos inclui tumultos por um simples motivo: ele é anárquico. Quando se tem uma determinada “tarefa” a ser executada, em qualquer que seja a área, e não se sabe exatamente como encaminhá-la de maneira mais ordenada, todos os envolvidos acabam partindo do princípio de que a forma que estão habituados a atuar é a melhor. E, quando todos acreditam desempenharem a mesma tarefa com superioridade, é porque se está definida uma espécie de paradigma fragmentado, uma barreira imensa para se efetivamente resolver problemas.  

2. Perceber a falta de padrões de ação.

A Revolução Industrial do século XVIII foi dos momentos mais importantes em toda a história da humanidade justamente por estipular um dos mais férteis terrenos para o cultivo da inovação. E há como se transcender o seu entendimento para o nosso cotidiano, abstraindo as linhas de montagem de produtos para modelos de trabalho e de pensamento. Ou seja: uma determinada tarefa, qualquer que seja ela, está sendo executada de maneira escalonável? Há método na ação desempenhada por pessoas ou há desperdício de energia? Se há desperdício desse que é o nosso mais valioso bem – a energia – é porque há um problema a ser enfrentado. 

3. Analisar a ineficiência. 

Paradigmas fragmentados e desperdício de energia se somam em uma palavra só: ineficiência. Quando um grupo de pessoas se une para executar uma determinada tarefa e acaba brigando entre si ou levando tempo demais para fazê-la, há uma perda inquestionável de eficiência. 

4. Enxergar frustrações.

Pessoas, por natureza, gostam de se sentir bem ao fazer qualquer uma de suas tarefas – seja no trabalho ou nos seus cotidianos privados. Na medida em que se acaba passando tempo demais executando tarefas frugais, chatas, ou discutindo em excesso com colegas ou simplesmente perdendo tempo e dinheiro, a frustração começa a dar as suas caras. E frustração talvez seja o elemento mais importante de todos ao se mapear algum tipo de problema que demanda inovação, de caos que demanda ordem. Dentre todos os elementos, a frustração é o mais emocional, o mais inquestionável e o mais determinante para o fracasso de uma empreitada. 

Ela é também uma espécie de divisora de águas: as pessoas podem desempenhar uma tarefa de maneira conflituosa, ineficiente e despadronizada – mas se não estiverem frustradas, dificilmente aceitarão de bom grado qualquer mudança que se proponha. 

5. Calcular as intensidades dos ingredientes. 

Não há, claro, nenhuma fórmula mágica envolvida aqui – mas o raciocínio é simples. Quanto mais intensa for a frustração com uma determinada situação, mais as pessoas que a vivem estarão dispostas a aceitar mudança; da mesma forma, quanto mais ineficiente, conflituoso e despadronizado por um método de conduta atual, mais prático será implementá-lo. 

Há coisas que não se consegue medir em números, em cálculos aritméticos – mas que se consegue, sim, entender como sendo mais ou menos grave. 

É essa percepção de gravidade que determinará o tamanho do caos e, consequentemente, os contornos reais de um problema que demanda uma solução inovadora em forma de produto, serviço ou qualquer que seja a modalidade de entrega. 

 

Por Ricardo Almeida
Publicado em 18/05/2015 no Blog Gene do Caos

 

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